IMAGINAÇÃO VS REALIDADE
Uma questão que frequentemente se coloca numa terapia de regressão, é a relativa à hipótese de tudo não passar de frutos da imaginação do cliente. É obviamente uma questão pertinente.
Duma forma geral, a Terapia de Regressão permite a cura a diversos níveis. Fobias e maus hábitos são eliminados, relacionamentos doentios são resolvidos, traços de personalidade são mudados entre muitos outros aspectos. Se as pessoas que se submetem a esta terapia, estivessem «somente a imaginar», será que os seus problemas desapareciam?
Poder-se-ia ainda contrapor esta tese, fazendo referência ao efeito placebo, contudo, só no momento da terapia se pode experienciar o que é realmente a Terapia de Regressão e constatar que não existe intervenção da imaginação, mas sim um indescritível momento de Amor, Sabedoria e Verdade.
Por outro lado, o termo «efeito placebo» refere-se a um ainda indecifrado (?) processo de auto-cura desencadeado pelo corpo humano, que a ciência ainda não consegue explicar, logo, qual a legitimidade para se dizer que é placebo, se se desconhece os mecanismos inerentes ao mesmo?
Quando a ciência descobrir o que se activa biologicamente quando ocorre o designado «efeito placebo», imagine-se realmente o que poderá acontecer?
Talvez seja bom também tentar entender o que é a imaginação. Aquilo que normalmente (aqui no Ocidente) se considera ser «imaginação», quando surge de uma forma espontânea, é uma potencialidade interior que abre portas para sintonias ilimitadas - trata-se de algo que, de uma forma generalizada, se confunde com «criatividade».
É interessante verificar a diferença entre a tradição oriental tântrica e a tradição ocidental da hipnose: os hipnoterapeutas dizem que através da imaginação, as pessoas criam qualquer coisa, o Tantra diz que através da imaginação, as pessoas sintonizam-se com algo que já existe, existiu ou existirá.
É importante a pessoa partir para uma Terapia de Regressão, sem esta questão em mente, sob pena de estar a bloquear completamente o processo. Seja como for, o terapeuta possui técnicas simples de despiste, para o caso de se aperceber que o cliente está a "forçar" as descrições, como fruto de um medo profundo de entrar no seu interior e do que poderá lá encontrar.